Abre-se em tres etapas:
Ele disse que queria me alegrar. E conseguiu.
O amor é a mais carnal das ilusões.
Amar é possuir, escuta.
E o que possui quem ama?
O corpo?
Para o possuir seria preciso tornar nossa a sua matéria,
comê-lo, incluí-lo em nós...
E essa impossibilidade seria temporária,
porque o nosso próprio corpo passa e se transforma,
porque nós não possuímos o nosso corpo
(possuímos apenas a nossa sensação dele),
e porque, uma vez possuído esse corpo amado,
tornar-se-ia nosso,
deixaria de ser outro,
e o amor, por isso, com o desaparecimento do outro ente,
desapareceria...
Possuímos a alma?
Ouve-me em silêncio: Nós não a possuímos.
Nem a nossa alma é nossa sequer.
Como, de resto, possuir uma alma?
Entre alma e alma há o abismo de serem almas.
Que possuímos? Que possuímos?
Que nos leva a amar ? A beleza?
E nós a possuímo-la amando?
A mais feroz e dominadora posse de um corpo
o que possui dele?
Nem o corpo, nem a alma, nem a beleza sequer.
A posse de um corpo lindo não abraça a beleza,
abraça a carne celulada e gordurosa;
o beijo não toca a beleza da boca,
mas na carne molhada dos lábios perecíveis e mucosas;
a própria cópula é um contato apenas,
um contato esfregado e próximo,
mas não uma penetração real,
sequer de um corpo por outro corpo...
Que possuímos nós? Que possuímos?
As nossas sensações ao menos?
Ao menos o amor é um meio de nos possuirmos,
a nós, nas nossas sensações?
É ao menos, um modo de sonharmos nitidamente,
e mais gloriosamente portanto,
o sonho de existirmos?
E ao menos, desaparecida a sensação,
fica a memória dela conosco sempre, e assim,
realmente possuímos...


"A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura.
Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente.
Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você.
Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio.
Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir.
Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida."
OSHO (O Livro da Cura)